Sábado, 16 de janeiro de 2010

Para (e sobre) a Chris

Há mulheres que são lindas, há outras que nos dão inveja pela sensualidade, outras ainda nos ameaçam porque são capazes de manter os homens (os nossos também) cativos apenas com o olhar, um tanto lânguido, um tanto dominador.

Mas outras há que parecem não precisar dos artifícios do Feminino, antigos como a Vida!

Estas mulheres são doces como um gatinho enroscado no colo, suaves como a brisa na pele, meigas como o filho da gente mamando no seio...

Mas são fortes como o vento das tempestades, são duras como o chicote que açoita a preguiça, são certeiras no atingir a meta quando a meta é o certo a se alcançar...

Eu conheci uma mulher assim, e sinto saudades dela a cada volteio do pensamento, quando ele se torna fugidio. Sinto a tristeza morna, macia e incrédula da perda que não teve preparo e nem aviso.

Sinto a vontade dolente e insatisfeita de rir junto, de comprar coisas de que não preciso, de tomar chope preto, de ficar séria e de conversar muito sobre o que é preciso, necessário ou angustiante...

Foto da Larissa,  que sabia brincar com ela...

Eu conheci uma mulher assim, e ela era médica e foi patologista.

Que curioso! Lidou com a morte a vida toda e talvez por isto mesmo tenha sido a artista que foi: tirava da sucata as formas vivas, poderosas e humanas que vagavam pela sua alma.

Venceu por duas vezes a roleta que a sorteara para a viagem na qual não se leva nada mais do que o coração; ainda precisavam dela por aqui...

E agora, quando concordou que poderia ir, ainda teve a delicadeza de esperar que todos compreendêssemos que a sua ausência nas nossas vidas era inexorável, que os filhos voltassem às suas casas, que um novo ano se iniciasse com o chamado de renovação que um ano novo sempre trás.

Mas ela não contava com uma coisa: a Natureza, que ela tanto amava, não suportou a ausência dela. Chovia de mansinho quando ela se foi...

Graça Mota Figueiredo/10.01.10 

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