Sábado, 06 de setembro de 2008
EDITORIAL
Vocação política
A vocação é dom de
Deus. Há quem parece ter nascido justamente para ser artista, profissional de certa
área, padre, religioso, político... A profissão buscada apenas como ganho de dinheiro
não é plenamente realizadora da pessoa. Pendor, ideal de vida e valores consoantes com o
próprio desejo de se realizar como pessoa humana são importantes para o encaminhamento
de vida. Qualquer profissão, buscada apenas por interesses comerciais e de destaque
perante os outros, muitas vezes leva à frustração das pessoas.
Há quem desista, depois
de experiência de cargo político. No entanto, precisamos melhorar essa realidade da
política. De fato, o desafio é grande. Os bons não podem desistir para os maus não
aprofundarem sua maldade. Antes, é preciso estimularmos sempre mais pessoas de qualidade
moral e de competência para administrar ou legislar a se apresentarem para assumir cargos
políticos. Deste modo, poderão ajudar a máquina política a servir realmente à causa
da promoção do bem comum. Quem não tem bom caráter muitas vezes usa do poder
econômico, da mídia e de outros instrumentos, de modo nem sempre ético para manipular a
boa fé e até a má fé de muitos, com suborno, compra de votos e mesquinharias para
ganhar a qualquer custo. A formação da consciência de responsabilidade pelo voto
cidadão é que preciso seja sempre mais aprofundada. Mesmo a união dos cidadãos para a
justa pressão em bem da exigência do suprimento de suas necessidades é de suma
importância para a melhora do serviço à coisa pública.
São Paulo admoesta
sobre o que agrada a Deus. Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos,
renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da
vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito (Rom 12,
2). A justiça, o serviço ao semelhante, a convivência na promoção da vida e da
dignidade humana são inerentes a isso. A ordem política necessariamente passa também
por essas condições. Jesus nos dá o exemplo de verdadeiro serviço por amor, entregando
sua vida por nós (Cf. Mt 16, 21-23). Indica-nos a doação de nós para ganharmos o
prêmio da vida plena com Ele. As vocações são respostas ao chamado de Deus com a
doação pessoal em vista do serviço ao próximo. A vocação política não pode ficar
alheia a este encaminhamento. Precisamos formar uma consciência política com o grande
ideal de serviço, mesmo com o desprendimento contínuo para o trabalho de promoção da
pessoa humana. Hoje muitos querem cargos políticos com o interesse precípuo ou até
exclusivo de ganho de dinheiro e de vantagens pessoais, às vezes em detrimento do bem
comum. E seu ganho de dinheiro público nem sempre é proporcional ao bem que prestam
quantitativa e qualitativamente à sociedade. Isto não se coaduna com a justiça em
relação à grande maioria do povo, que trabalha igualmente pelo bem da comunidade!
Dom José Alberto Moura
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